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terça-feira, 8 de novembro de 2011

Sobre a queda das folhas das árvores


                Eu nunca entendi, eu jamais entenderei, apenas não posso evitar a queda das folhas das árvores quando elas têm que cair. Talvez eu apenas não me acostume com processos irreversíveis, tanto faz, eu não me adapto, não me acostumo com milhares de outras coisas e elas permanecem as mesmas.
                E as folhas caem, eu poderia colá-las uma a uma à árvore, no entanto não seria a mesma coisa, o laço de vida que as unia anteriormente não seria refeito. E dói por que elas fazem falta, e não dói por que elas estavam mortas. Acontece que há algo de extraordinário na queda das folhas, estas caem para que a árvore permaneça viva, para que haja a troca das folhas por outras que exalam verde vida. Então, não haveria algum resquício de generosidade das folhas caídas?
                Por que as folhas vivas e mortas não podem conviver mutuamente na mesma árvore? Não estariam vida e morte ligadas intrinsecamente? Acontece que o que é vivo não combina esteticamente com o que está morto. Acontece que as estações mudam e as folhas têm que cair. Acontece que eu não sou árvore, acontece que os outros não são folhas, mas caíram, partiram... Acontece que eu nem ao menos estou viva. Acontece que... Isso tudo é apenas mais um devaneio meu. Apenas deixe ir...

Um comentário:

Paulo Júnior disse...

E mais uma vez, venho comentar com um certo atraso, me perdoe, Marina rs
Acredito que, apesar de ser curto e direto, é um dos seus melhores e mais realistas textos.
Certa vez ouvi uma frase, há muito tempo, e até hoje eu gosto de me lembrar dela. A frase diz que uns devem cair por terra para que outros possam crescer. A morte sempre estará associada a vida, apesar de não uma não combinar com a outra. Acho que não tem a ver com combinação, mas sim com continuidade. A morte é não é o fim, mas sim a continuidade de um ciclo chamado vida.
Sei lá, é um ponto de vista meio estranho esse meu, mas é melhor pensar dessa maneira, o que acaba tornando a ideia da morte, um pouco menos aterrorizante.

Não preciso nem dizer que está ótimo o texto, né?! =)
Beijos, Marina!

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