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terça-feira, 16 de maio de 2017

Não traga sonhos a esta casa

Grande pequena suja, dos sonhos feitos de biscoito, tão doces e quebráveis. Estás a deixar migalhas por todos os lados, sujas o chão com estes sonhos despedaçados. Quem dera tu tivesses me ouvido antes, quando te falava sobre não carregar tais biscoitos ao peito, trazendo-os à casa. Deixa-os do lado de fora, aqui não podem estar. Aqui dentro somos eu e você, pequena, contra o mundo. Nesta casa estamos presas e nada de biscoitos. Se te privo é porque te amo. Espero que cresças forte e não precises mais de mim, pequena. Cheguei velha a este mundo e a decrepitude do mesmo só me fez mais velha, e forte. Não traga sonhos a esta casa, pequena, não os aceite ao te oferecerem na rua. Dirão que precisas de doçura, mas ninguém limpa-te as migalhas em casa, exceto eu. Não há doçura que mereça a sujeira que fazes, pequena, estás perdida e sem nada mais a carregar junto a este peito que ainda não sabe se manter. Deixa-os do lado de fora, aqui dentro apenas a velha a te proteger. Do mundo.

domingo, 14 de maio de 2017

Are you going to age with grace?

I turn 24 today, you wished me a happy birthday and told me that I need to keep myself alive, you said there's no guarantee we'll meet in the afterlife. You told me you wanna see me age, become a better woman, acquire new flaws and new qualities. Said you're not only in love with me now, but you love me here and you'll love me then. Said you feel inexplicably connected to me. I've never been in the presence of someone that comfortable with me. I've never been so comfortable in exposing myself either. Maybe we are really connected. Quantum entanglement? You are the one to figure it out. You're happily welcomed to my isolated system. Guess it's ours now. We'll keep ourselves isolated, in hope someday we'll be out of our perfect bubble in this stupid parallel universe. No, seriously, we're both fucked up people, I hope we can be fucked up together, maybe someday in the future. The odds are against us, though. I can only be grateful for having you, you made me dream again. Life will probably put us in different roads, but you gave me a great plot to a love story book. Hope I can keep writing about us and the benign indifference of the universe.

quarta-feira, 10 de maio de 2017

Sinto-me exposta, invadida, vulnerável. Estou lutando para trancar todas as portas que conseguir encontrar, e cada tentativa é uma nova falha, sempre há uma fresta, uma nova invasão. Eu não sei compartilhar. Escrever aqui abre uma nova fenda. Mais exposição. Eu não sei fazer diferente.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

I have this stupid feeling that something is not real until you write it down. Now, by writing it down, I'm turning it into something real. I have this dream in which I feel so much desire that it turns into suffering. It's so good that it turns into a bad thing. And I love that. It's like having this pleasure in pain. And I can't get enough of it, I'm addicted to it. My mind is a mess, I can admit to it, no need to hide anything, but now in this dream I can feel as everything is in a right place, as if I was the sanest person who ever exist, which can not be true, as all that I'm saying makes no sense. Can you fall in love with someone's mind?

domingo, 16 de abril de 2017

I'm feeling paranoid. Anxiety is killing me. Can't trust anyone. Starting to think everyone is trying to sabotage me. I don't need help. It's just a stupid thing caused by stress. I've been stressed lately. I have this feeling in my throat, can't breathe properly. I'm fated to pretend. There's this feeling of being a flame which is about to be extinguished. Wanna see the blast, wanna see it in slow motion, wanna feel it lacerating me, I was always set to self-destruction. The soldier said he's not afraid to die. I don't understand death, it gives me the creeps, it feels quite stupid the everyday task of going against entropy, though. I don't want the balance, want life to be raw, exposed flesh. Can't trust myself. Starting to think I'm trying to sabotage me.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Feliz dia internacional das mulheres

Feliz dia internacional das mulheres. Este é um texto para não ser lido. Só por hoje eu estou cansada. Este não é um texto para mostrar que mulheres precisam lutar pelos seus direitos. Este é apenas um texto para dizer que por hoje eu estou cansada. Sim, cansada de ter que sustentar a identidade de feminista. Cansada de ter que me justificar por ter comprado livros em uma promoção, que infelizmente não inclui livros técnicos. Sim, mulheres leem livros técnicos. Não, estes, que são livros naturalmente mais caros não estavam incluídos na promoção. Por que eu não posso comprar os livros que eu quiser onde eu quiser?
Feliz dia internacional das mulheres. Para quem? Hoje é um dia muito cansativo, por todos os lados sou bombardeada com frases de empoderamento. Veja, estou cansada, não quero isso hoje. Hoje não quero ler sobre a quantidade absurda de violência diária contra as mulheres, não quero ler sobre o meu dever de lutar pelos meus direitos. Aliás, como assim? Por que eu tenho que lutar por algo que deveria me ser oferecido por natureza?
Este é um texto para não ser lido. Espero que entendam, irmãs, que eu estou cansada e que dizer isso gera mais revolta, porque não devemos parar de lutar, mas a revolta vai me cansar ainda mais e hoje sou apenas cansaço. Espero que esteja claro que este texto também não obedece nenhuma métrica ou lógica preestabelecida, não é para ser bonito, nem inspirador, é apenas para ser o que é, uma mulher cansada.
Hoje eu quero apenas fazer nada, ler boas notícias, ter conversas bem leves porque hoje estou com preguiça até de pensar. Hoje eu quero que todas vocês possam escolher fazer exatamente o que quiserem. Hoje eu quero que vocês tenham condições favoráveis para poderem escolher. Hoje eu quero que vocês sejam livres e plenas. Hoje, amanhã e sempre. Feliz dia internacional das mulheres.

segunda-feira, 1 de agosto de 2016

Sobre quem não sabe ser feliz

     Quem dera fosse possível abandonar completamente o eu. Eu, esta identidade destrutiva, que não se cansa de destruir toda e qualquer coisa, seja boa ou ruim, seja até mesmo a melhor de todas as coisas. O eu tem a necessidade de sabotar a si mesmo de uma maneira impressionante. Veja, todas estas palavras surgem do mais sincero pesar do que está para morrer a seguir, porque se você pensa que o eu está te sabotando, você já foi sabotado. Sinto o peso de tudo que já me foi tirado por mim mesma, sinto até mesmo o peso do que estou pra me tirar, este é mesmo o pior dos pesos, pois não sei como me ajudar. A identidade, etiqueta, definição limitada, delimitação, impede-me de ser livre, impede-me de poder ser sincera comigo mesma, impede-me de conseguir falar que me sinto usada. Sinto-me completamente usada, pois tenho que seguir uma agenda que não é minha. Tenho que me adequar a padrões que ferem a identidade do eu, e quando o eu é ferido ele precisa se defender, mesmo que esta defesa cause sofrimento. Sofro antecipadamente porque morte é algo com o qual não somos ensinados a saber lidar. Algo precisa morrer hoje para que a vida em seu curso mais livre e natural continue a existir. Veja, eu sofro de uma dor terrível, dói-me esta capacidade de me cortar em palavras, enquanto preciso maquiar todo o sofrimento para defender uma identidade. Estou escolhendo uma identidade sobre o amor, porque a defesa da identidade é um ataque ao qual eu estou desprotegida. Amor só reconhece amor, mas estou afundada em apego e carência e esse bolo na garganta não me deixa respirar. Algo precisa morrer hoje, porque a morte é inevitável, quem dera fosse possível matar apenas este eu.