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quinta-feira, 14 de junho de 2012

História de pescador


               E ele se perguntava a razão pela qual um pescador experiente ficava sentado segurando sua vara inerte, esperando, mesmo sabendo que peixe algum morderia a sua isca. Sim, ele estava a se perguntar, porque havia perdido a noção da quantidade de tempo em que ele estava em tal posição. Encontrava-se confuso, pois não sabia se estava no lugar errado, se não era bom pescador ou se apenas era o mar que não estava para peixe. Ele sabia que não pescaria peixe algum, pelo menos era o que sua mente lhe dizia.
               Tamanha era a confusão que se instalara, a ponto de o pescador não ter a mínima perspectiva de futuro, pois o seu presente parecia perdido. E havia aquela sensação de que deixara algo passar, sensação de que há algo que jamais entendera. E em algum lugar há um relógio tiquetaqueando enquanto o tempo escorre por entre os seus dedos. O que ele havia feito de errado? Era exclusiva dele, em sua totalidade, a culpa de os peixes não caírem na sua armadilha?
               Depois de não sei quanto tempo, percebe a aproximação de vivalma. A presença se senta ao seu lado e questiona:

             - Por que continuas a esperar aí, sentado, com a vara de pescar na água, quando sabes que não pescará peixe algum?
             - Como sabes que não pescarei nenhum peixe?
             - Eu não sei disso, mas é o que você pensa. Então, diga-me, por que é que ainda insiste?
             - Bem, a minha mente diz que nenhum peixe irá morder a minha isca, porém há algo em mim que faz com que eu sinta que se eu for embora, se eu abandonar o mar, eu estarei perdendo a chance de pescar qualquer peixe durante o resto de toda a minha vida.
             - E há quanto tempo está aqui?
             - Perdi a noção há muito.
             - E ainda tem esperança?
             - Eu ainda não sei o porquê disso.
             - Pois bem, vou-me embora, porque nada conseguirei aqui.

               Então, o único presente se fora e o pescador tornara a ficar sozinho, na mesma posição. Permanecia ali graças a sua vontade de pescar ao menos um peixe, mesmo que todas as probabilidades fossem desfavoráveis. Vencia o cansaço por se agarrar a duas coisas: nada é impossível e tudo dará certo. Podia ter fé, pois sabia qual é a razão da vida, e a razão da vida é a própria vida. E o pescador continuava a esperar aquele peixe que nunca vem. Ou não... Só que esta é apenas mais uma história de pescador.

3 comentários:

Paulo disse...

Li o texto e não pude deixar de relacioná-lo a um dilema que vivo quase todos os dias: Ter vontade de ir embora da faculdade na segunda aula, ou até mesmo faltar, porém ficar na aula (ou ir pra faculdade) por medo de perder atividade ou prova, mesmo sabendo que isso não acontecerá. Por vezes, não estou me aguentando em pé, mas fico na faculdade, e acabo me arrependendo.
Bom, óbvio que esse meu dilema não corresponde a 100% do seu escrito, visto que eu não tenho essa fé de que os professores darão atividade e afins, mas sabe quando dizem que a fé move montanhas? Então, acho que é verdade mesmo. Pode ser que não traga peixes ao pescador, mas pode mover montanhas, pode realizar sonhos. Mas não digo da fé de que algo cairá do céu, como um milagre, digo da fé em si mesmo, na fé em seu esforço, em seu sangue e suor. Ao meu ver, é fácil demais ter fé, se apoiar totalmente em algo/alguém, porém não mover um dedo para que tua vontade seja realizada, e querer que dê certo. Se der certo, ótimo, mas e se não der? Aí vem aquela todas aquelas desculpas...
Apoiar-se em ti mesmo, saber que teu esforço é gigantesco e ter fé nele, isso sim move montanhas, isso sim pode trazer peixes ao pescador.

Ah Marina, que baita reflexão você me causou agora!
Agradeço muito a ti pelos comentários no Eternos Rascunhos, obrigado mesmo.
Beijos!

Anônimo disse...

"- Bem, a minha mente diz que nenhum peixe irá morder a minha isca, porém há algo em mim que faz com que eu sinta que se eu for embora, se eu abandonar o mar, eu estarei perdendo a chance de pescar qualquer peixe durante o resto de toda a minha vida. "

Nossa, incrível, acho que todos nós sentimos um pouco disso não é? A incerteza. Mas o que seria da vida sem a incerteza? E se tudo fosse pré-definido? Destino, algo que não me agrada...

"Vencia o cansaço por se agarrar a duas coisas: nada é impossível e tudo dará certo."

Acho que minha vida se resume a isso. Tive sorte, cativei uma sereia, ao contrário do pobre pescador solitário. Posso me deleitar diante do seu encanto, enquanto espero pacientemente o momento em que um peixe cairá na minha armadilha. Cansaço. Cansaço. Cansaço... É o que eu sinto nesse exato momento. Acho melhor parar de escrever, meus olhos pedem descanso...

Juliane Gonçalves disse...

Oiiii! Queria desejar uma ótima semana!
Vim aqui tbm lhe convidar para participar do 1° sorteio lá no Blog, gostaria muito de contar com sua participação!

http://www.ahcuriosa.com/2012/07/sorteio-lavanda-classic.html

Beijos

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