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quinta-feira, 14 de julho de 2011

Exagero


        Este não será um bom texto, assim como os anteriores não foram. Saber escrever é um dom e acho que se perde se não for bem utilizado. Eu digo acho, porque eu não consigo saber se alguma vez já possui tal dom. E eu não consigo saber disso pelo fato de as minhas memórias se desconfigurarem. Todas as situações que eu acho que vivi, todas as coisas que eu acho que sei, todas as faces que eu acho que vi, todos os erros que eu acho que cometi, toda a pele que eu acho que toquei e todo chão que eu acho que pisei. Tudo isso convertido em meras recordações, lembranças tão distantes a ponto de me oferecerem o falso benefício da dúvida. Ser ou não ser real? Eis ou não a questão.
         É como estar sob a superfície da água e olhar para cima e reconhecer a imagem vista, mas a imagem é desfocada, borrada, e você não sabe a localização exata do objeto visto por causa da refração. E eu acho que conheço tal situação assim como conheço a palma da minha mão, mas eu acho que conheço tão pouco a palma da minha mão. Eu durmo o dia todo e passo todas as noites em claro, eles aproveitam uma realidade tangível enquanto eu tenho sonhos estranhos. A partir de então, a verdade passa a poder nascer da confusão, porém não mais do erro. E independente do ponto de apoio, não há alavanca que faça você levantar o mundo. E é quando o outro corpo que possui a metade de sua alma se transforma em lembrança distante. Quando as sensações que nasciam gêmeas simplesmente param de nascer. E a Terra, o silêncio da Terra girando para de existir, porque a Terra faz um barulho malditamente ensurdecedor para girar agora.
         E não há como correr alegre para o precipício, pois não há precipício, tampouco há algo a ser colocado para impedir a visão do mesmo. O que existe é irrealidade, inverdade, inversão, confusão, exagero. Universos perpendicularmente paralelos, paralelamente perpendiculares. Você é escritora nas horas vagas? Eu vivo nas horas vagas. Mentira. Eu exagero nas horas vagas e eu exagero em todas as outras horas também. Porque eu sou menina e eu sou mimada, menininhas mimadas exageram. Porque eu transformo as sensações boas no meu nirvana e converto as sensações ruins no meu inferno particular. Porque eu intertextualizo Shakespeare, Francis Bacon, Arquimedes, Aristóteles, Byron e Pascal em um único texto e esse texto ninguém vai ler. Porque eu faço questão de mostrar que tenho um cérebro quando o fato de eu pensar não importa a ninguém. Porque todos estão tão ocupados pensando em si mesmos que não há razão em saber se mais alguém pensa ao seu redor. Deixa assim... Eu sou exagerada, tudo isso não passa de exagero meu. 

7 comentários:

Juliana Soares disse...

Amei o blog, muito lindo, Aqui deixo meus parabéns e meu follow.

se quiser me seguir..

http://wwwdescomplica.blogspot.com/

Beijos

Beleza disse...

olá.. adorei seu Blog.. e ja me tornei seguidora. me siga tbm..
E o seu comentário é muito importante para o Blog.
Obrigada.. e SUCESSO.

http://belezaeprodutos.blogspot.com/

Paulo Júnior disse...

Acredito que nossas memórias se desconfigurem por conta de tantas informações que absorvemos todos os dias. São tantas informações, momentos, são tantos passos concretos e passos abstratos, realidades tangíveis e intangíveis. Nosso corpo evoluiu e se adaptou ao tempo em que vivemos, mas nossa mente não. Nossa mente está cada vez mais sobrecarregada, e não é por culpa dela, mas sim por culpa do meio externo, do contexto que vivemos, que nos exige mais que 24hs/dia, 7 dias/semana e, portanto, faltam dias em nossos anos. Todos esses fatores desgastantes fazem com que nossas memórias nos gerem mais dúvidas do que, de fato, recordações. Primeiro, precisamos confirmar que aquilo ocorreu, para depois recordarmos. É como se a mente mentisse para o corpo, ou talvez uma maneira da mente nos avisar que não devemos lembrar de tal ocorrido.
E creio que sejamos assim mesmo. As sensações boas, elas são indescritíveis. As ruins, transformamos em palavras, encontramos em palavras.
Acredite, Marina: Tens sim o dom, e dom não se perde, dom se aprimora, aperfeiçoa. O que ocorre, por vezes, é uma escassez dessas bem chatinhas, mas o dom sempre sai vencedor. Esse texto foi excelente, assim como os outros também são.
Não passo pelo meu melhor, e confesso que precisava ler suas palavras. Texto incrível, parabéns!

Beijos!

blogtatudodominado disse...

Olá gostei muito do seu blog, estou te seguindo se poder retribui ficarei feliz :)

http://blogtatudodominado.blogspot.com/

May disse...

adorei, marinat. eu nao acho que seja exagero.. huahuhauahuha a nao ser que eu seja outra mimada. apesar de nao ter o dom que vc tem.. eu penso da mesma maneira, as pessoas estao muito ocupadas pensando em si mesmo. Beijao, gata. continue escrevendo msm que desacretide no seu dom. te amo, amg.

Mariana das Neves disse...

Essa infinidade de sentimentos nos faz sentir assim, talvez não seja exagero ou eu sou outra exagerada. :)
Gostei bastante do post, e estou te seguindo!

Observateur... disse...

Acho que você está indo na corrente construtivista, onde essa sua "aminésia recente", é construída ao longo da vida...

P.S.: Não se importe com a forma a qual os outros te veem... Eles nunca se importam como os vemos..

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