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domingo, 17 de julho de 2011

Por esta noite


Diga-me o que você quer por esta noite, diga-me o que desejas. Por esta noite a minha vontade é fazer algo que você queira, só hoje. Por esta noite o meu desejo é seu, por isso, diga-me logo o que realmente você quer para acabarmos com toda essa história. Sem resposta. Um meio sorriso nos lábios e a porta fechada logo após. Não entendo, mas de certa forma essa cena me parece triste, ou pelo menos foi a sensação que tive. A sensação de vazio, sensação de que algo não estava completo. Então eu pensei que deveria ter dito outra coisa, ou deveria ao menos ter dito alguma coisa esta noite.
Por esta noite eu gostaria de poder te tocar, você disse. E se você pudesse me tocar em que parte do meu corpo tocaria? Minha mente tão mais impura do que a sua, meu sorriso sacana logo vem aos lábios, isso me diverte. Então você responde que tocaria os meus lábios, olharia nos meus olhos e sorriria. Meus olhos são fascinantes, você diz. E por que não me toca? Isso não convém. Você não me convém. Tocar-te não me convém hoje. Por esta noite. Por esta noite ele se vai sem que eu saiba se tem volta, por esta noite ele me quer e diz que sempre vai querer, porém ele não permanece aqui. Razões mais do que irracionais a serem consideradas. Não entendo a divergência entre palavras e ações. Por quê? Sabe lá, quem sabe? Sim, então a porta foi fechada logo após ele, de alguma forma isso pareceu triste, senti-me vazia e blá, blá, blá. Não sei se o tempo passou, não me lembro de ter sentido movimentação de tempo ou espaço ao meu redor. Não há lembrança sequer da brisa.
A porta se abriu novamente. Ele entra e olha para mim como se essa fosse a última coisa que ele fosse fazer na vida, ou como se fosse a sua última visão de mim. Como se isso tivesse que ser guardado para sempre. Outro meio sorriso e um olhar envergonhado direcionado ao chão, um pedido de desculpas, talvez. Foi o que pareceu. Caminhou em minha direção e... E eu não tinha mais palavras, porque eu nunca sei o que dizer quando ele está tão perto, mas ele estava bem em frente a mim. Então ele tocou o meu lábio inferior com o indicador e o médio, tão delicado. Olhou nos meus olhos, sorriu. Não é que eu tenha medo, isso é apenas delicado, você diz. Sem mais. Um meio sorriso nos lábios e a porta fechada logo após. De certa forma isso também me pareceu triste. Despedida. Por esta noite.

3 comentários:

Aleksandro Machado - Crokup. disse...

Adorei o texto querida

Beijos

www.crokup.blogspot.com/

Paulo Júnior disse...

Deixar-se a mercê do próximo para que o mesmo tenha total liberdade para escolher o que quer fazer, de todas as atitudes, essa é uma das mais altruístas. Dar a cara a tapa, fazer com que o próximo possa optar por algo que o satisfaça, mesmo magoando o outro...mas, se o próximo estiver feliz, então tudo ok. Creio, então, que as palavras não corresponderem as ações, é algo natural dentro do altruísmo. Falar o que deseja, porém não fazê-lo, ou desejar internamente, porém não fazê-lo. Querendo ou não, momentos de insanidade nos tornam mais irracionais do que costumamos ser, e são nesses momentos, que o desejo segue contrário às palavras. Bom, querendo ou não, o amor, o desejo, o altruísmo, todo o conjunto, faz com que tenhamos uma perspectiva unica da pessoa, fazendo com que possamos viver cada momento ao lado dela, como se fosse o ultimo de nossas vidas, mesmo sabendo que amanhã ela estará lá de novo, e sabendo também que amanhã, novamente, viveremos como se fosse o ultimo, e assim segue...
Creio que a beleza dos sentimentos não está no que enxergamos, mas sim nos mistérios que eles nos desafiam a descobrir.
Ler um texto desses numa segunda feira de manhã é realmente inspirador!

Beijos, Marina! Tenha uma excelente semana!

Juliana Soares disse...

lindo e encantador esse texto: " por esta noite" ele realmente tocou no fundo da minha alma.
Tenha muito sucesso com o blog Marina, você com certeza merece.

Beijos *-*

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