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terça-feira, 27 de março de 2012

Ensaios


03 de fevereiro de 2012 – carpe diem 1

05h32min. Comecei a ler “O Pequeno Príncipe”, com certeza terei algo a escrever sobre o que eu aprendi hoje. Logo no começo, lembro-me de você:

- Se alguém ama uma flor da qual só existe um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para que seja feliz quando a contempla. Ele pensa: "Minha flor está lá, nalgum lugar..." Mas se o carneiro come a flor, é para ele, bruscamente, como se todas as estrelas se apagassem! E isto não tem importância!” (Principezinho)

         Devo confessar. Se fosse da minha vontade, jamais dormiríamos. Nem eu e nem você. Dá um aperto enorme no peito quando eu digo o sofrido: “vai, amor, pode ir”. Mas, no fundo, eu sei que você realmente precisa ir, e é apenas por isso que eu passo por cima da minha própria vontade e não insisto para que fique. Daí você volta no outro dia, e é como se eu tivesse as palavras do homem grande do avião para me consolar:

"A flor que tu amas não está em perigo... Vou desenhar uma pequena mordaça para o carneiro... Uma armadura para a flor... Eu..."

         E parando para pensar na possibilidade de termos de nos afastar por algum dia, até a suposta vaidosa flor do planeta do principezinho serviu para me ensinar algo.

É preciso que eu suporte duas ou três larvas se quiser conhecer as borboletas. Dizem que são tão belas! Do contrário, quem virá visitar-me? Tu estarás longe...”

         E ter a noção de que eu seria qualquer coisa que você precisasse, faz com que eu me sinta cada vez mais forte. Eu poderia enfrentar simplesmente qualquer coisa, quando o objetivo final é permanecer junto a você. Qualquer distância é tão pequena quando podemos ver que esta pode ser traçada por uma reta em um mapa qualquer. E pensar que uma reta é feita de pontinhos. Tanto trabalho para perder-se de si quando o esperar aqui para sempre por você é apenas questão de paciência.
         E o principezinho falou o que eu poderia falar de ti em relação a todas as outras pessoas que habitam o Mundo:

- Sois belas, mas vazias, disse ele ainda. Não se pode morrer por vós. Minha rosa, sem dúvida um transeunte qualquer pensaria que se parece convosco. Ela sozinha é, porém, mais importante que vós todas, pois foi a ela que eu reguei. Foi a ela que pus sob a redoma. Foi a ela que abriguei com o pára-vento. Foi dela que eu matei as larvas (exceto duas ou três por causa das borboletas). Foi a ela que eu escutei queixar-se ou gabar-se, ou mesmo calar-se algumas vezes. É a minha rosa.”

         E a raposa falou ao principezinho a famosa frase “só se vê bem com o coração. O essencial é invisível para os olhos”. Lembro-me de quando eu me impedia de enxergar com o coração. Os olhos, estes sim devem enxergar perfeitamente tudo o que está à sua frente. Metódicas, pragmáticas, racionais. Dessa forma as pessoas deveriam ser. Aí vem você, tentando tirar a venda que eu mesma coloquei, eu tentei evitar isso de todas as formas. Eu não me entregava completamente, você dizia. Depois você vem me dizer que eu sou a água mole que bati na dura pedra. E fui eu quem não conseguiu resistir a você. Você me faz um bem que não dá para medir. “Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas”, disse a raposa. Sinceramente, estou disposta a estar responsável por isso. Devo explicar o carpe diem? Calma, faltam apenas 9 páginas com o principezinho.
         Então, acabei de ler o livro. Chorei. Falando sério, eu nunca sei o que escrever após chorar com alguma coisa que me emocione, é como se eu parasse naquele ponto e só voltasse algum tempo depois. Enfim... A questão do aproveitar o dia. O que eu aprendi hoje? Aprendi bem cedo com o principezinho. Hoje eu aprendi que o que é belo não é belo por que é palpável, audível, visível, etc. o belo não é belo por que de alguma forma podemos assim defini-lo. Porém o belo é belo por que a gente pode sonhar. Por exemplo, as minhas estrelas (podemos ter o que quisermos, não é mesmo, amor?) não são belas por que eu as vejo como bolas de fogo em estado de plasma. Elas são fascinantes por que eu considero o brilho, a luz, o sonho. As rosas são belas, pois eu considero a cor, o cheiro, o sonho. O essencial é invisível para os olhos e o Universo não tinha necessidade alguma de ser belo. Nem eu, tampouco você, tínhamos a necessidade de sentir que o Universo é belo. Por que ele é belo, meu bem?
         Pois bem, aproveitemos o dia. Qual seria a graça de ter a eternidade e não poder sentir nada? São umas 7h15min, acabei de ver duas criancinhas numa carroça, carregando o lixo, trabalhando. Eu não trabalho. Odeio ver essas coisas, você sabe. Cá estou eu, chorando de novo, como sou boba. A gente se acostuma com tanta coisa. Eu não vou me adaptar. Eu me recuso. Sabe de uma coisa? Eles estavam sorrindo. Os dois. Um para o outro. Como se nem se importassem com o fato de ser tão cedo. Como se nem se importassem com o fato de sua infância e inocência estarem sendo roubadas. Como posso ser tão impotente a ponto de não poder mudar isso?
         Como podemos ser impotentes a ponto de nos prendermos a coisas tão vãs, quando quem tem bem menos motivos para sorrir não nega um sorriso a ninguém? Eu desejo tanto ser melhor, tanto, tanto. Por você. Para você. Com você. Eu devo começar por mim, aqui onde estou. Utilizando-me de Millôr Fernandes: “Se você agir sempre com dignidade, pode não melhorar o mundo, mas uma coisa é certa: haverá na Terra um canalha a menos”. Está sobrando canalhas aqui, é bom ser uma a menos, não?

2 comentários:

Paulinho disse...

Não sei bem certo o que escrever aqui, Marina, mas sei que esse comentário terminará maior do que o esperado, me desculpe mais uma vez por isso.
Acredito que esse texto tenha sido um tanto quanto pessoal. Tiro essa conclusão por notar que fora escrito em primeira pessoa. E acho que é impossível para quem lê "O Pequeno Príncipe", não começar a adaptar tais passagens tão marcantes, a vossas vidas. Creio que isso ocorra pelo simples fato de que a obra transmite tudo aquilo que vamos deixando adormecido conforme vamos amadurecendo, principalmente o que diz respeito de "o essencial ser invisível aos olhos".
Tanto a passagem da rosa, como das estrelas, são passagens fantásticas, mas os diálogos com a Raposa, esses são os que me quebram! E, fora desses diálogos, ainda citaria uma passagem esquecida, mas que muito me agrada: "Quando a gente anda sempre em frente, não pode ir muito longe".
Perdi minhas contas de quantas vezes já li esse livro. A magia dele é encontrar novos "mistérios" a cada leitura realizada.
Enfim, não bastou citar uma de minhas obras favoritas, como também escreveu um texto que eu caracterizei como épico. Seu final, citando Millôr Fernandes ficou sensacional!
Incrível mesmo, Marina!
Beijos!

Anônimo disse...

I could stay awake just to hear you breathing
Watch you smile while you are sleeping
While you're far away and dreaming
I could spend my life in this sweet surrender
I could stay lost in this moment forever
Every moment spent with you
Is a moment of treasure

Don't wanna close my eyes
I don't wanna fall asleep
'Cause I'd miss you baby
And I don't wanna miss a thing
'Cause even when I dream of you
The sweetest dream would never do
I'd still miss you baby
And I don't wanna miss a thing

Laying close to you
Feeling your heart beating
And I'm wondering what you're dreaming
Wondering if it's me you're seeing
Then I kiss your eyes and thank God we're together
And I just want to stay with you
In this moment forever, forever and ever ♫

The only thing that I can say: Awesome. I'm happy, I will have the possibility to read the little prince this week.

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